>>15582Bom, assim eram mais ou menos todas as instituições. É possível testemunhar o mesmo tipo de corrupção em alguns Estados socialistas, por exemplo, o Camboja. Você só escapa desse tipo de coisa se for um completo idealista.
E há alguns exageros e imprecisões históricas quando falamos de forma demasiadamente derrogatória do papel da Igreja Católica na escravidão sem considerar os padres ordenados pela Igreja (Jesuítas por exemplo) e o que fizeram os padres ordenados pela coroa portuguesa que desumanizavam com o mesmo vigor que um senhor de escravos. Se for a fundo nos posicionamentos da Igreja Católica em relação à caça as bruxas, a Igreja apelava mais para um posicionamento anti-iconoclasta do que persecutório por mais de mil anos, alegando que bruxas não existiam; em 1484, com o Papa Inocêncio VIII, começaram lamentavelmente a queimar bruxas. Eu deveria fazer o que, visto isso, me converter Ortodoxo? Abandonar a Igreja e virar um livre-interpretador da Bíblia (que pelo exemplo do que ocorre com os protestantes, produziu coisas como o neopentecostalismo)? A Igreja Católica tem certa disposição com os mais pobres que sempre teve, mesmo nos piores anos, mesmo que de formas que para os padrões de hoje não são exemplares.
Falta certa disposição da Igreja e da própria doutrina cristã e de todas as doutrinas abraâmicas com um arquétipo feminino forte que não seja puritano, como é a Virgem Maria. Eu acredito nos textos apócrifos que colocam essa carga em Maria Madalena. Não sei se algum dia a Igreja Católica vai fazer essa virada dogmática, acho improvável. Mas o Brasil é o que é e eu acredito no que acredito. É mais fácil trazer para frente valores de igualdade através de algo que ressoa com o coração das pessoas no Brasil do que com teoria iluminista rígida e francesa/russa/alemã. Imagina o socialismo vivo por 2 mil anos e me diga quais as chances de não passar alguns séculos verdadeiramente trágicos nesse período. Do ponto de vista histórico a Igreja é apenas uma instituição de homens e o mesmo vale para o Estado.