>>18110>Parece que a maioria dos livros do século XIX-XX contam histórias enfadonhas sobre o "viver" brasileiro, escritas da forma mais chata possívelIsso é o realismo literário e existiu em todo lugar. Émile Zola e Jack London são chatos do mesmo jeito.
>Onde estão os épicos, os grandes romances ou mesmo fantasia?Bom, épicos tradicionais, somos um país muito jovem pra isso. Épicos romantistas como o Kalevala realmente não tivemos nenhum notável, não sei por que essa onda não pegou aqui. Épicos modernistas e pós-modernistas, no estilo do Ulysses ou os Cantos de Pound, tem vários, mas aí é aquela coisa, não são tradicionais, são experimentais e autoquestionadores. Alguns que eu me lembro são Os Peãs e a trilogia da Pedra do Reino do Suassuna (cujas peças são chatas mas os romances são muito bons). E tem o Macunaíma, que é curtinho e paródico, mas frequentemente encaixam nesse gênero. Mas de novo, nenhum deles é reto e homérico. Livro clássico e "normal" que seja só personagens brasileiros em aventuras importantes, não sei, talvez coisa do José de Alencar, mas nunca fui fã.
Grandes romances temos vários, não sei a que você está comparando.
Fantasia, como em toda América Latina, no máximo um realismo mágico, fantasia no estilo europeu ou americano nunca pegou por aqui. Também não sei dizer por quê. Certamente houve tentativas, mas duvido muito que alguma seja melhor que um Tolkien de segunda mão.
Sua visão parece ser um pouco formada pelos textos que eram empurrados pra gente na escola. Literatura na escola não é pra ser divertida, é pra desenvolver a capacidade de leitura. Se faz isso mesmo são outros quinhentos. Mas como você gosta de Machado e Guimarães Rosa, acho difícil que você não consiga encontrar coisa que te agrade na literatura brasileira. Você só precisa evitar literatura muito didática ou social.
Outra coisa, com exceções raríssimas, a literatura considerada "séria" pelo meio literário nunca é ao mesmo tempo popular, em nenhum país do mundo. Isso é um debate antigo já. Não adianta botar um Guimarães Rosa na balança com um Brandon Sanderson, são tradições simplesmente diferentes e com objetivos diferentes.