>>18597Outro aspecto importante pra levar em conta e que dificulta a comparação direta é a tal da urbanização.
Seu Zé morava numa chácara ou fazenda que ele e a dona Maria conquistaram com muito esforço. Tudo que eles e os 6 filhos comiam era produzido lá; o excedente eles vendiam na beira da estrada pra comprar gás/óleo. Dona Maria teve 10 filhos antes dos 30, 4 foram natimortos, 1 morreu quando criança, 1 nasceu com alguma deformação que podia ter sido evitada com cuidado pré/pós-natal.
O filho do meio, Zé Maria Filho, vai pra cidade estudar e trabalhar, e com muito esforço consegue subir na vida: trabalha com carteira assinada, num emprego estável, ganhando 3 salários mínimo. Mora num cativeiro de pobre porque é só isso que dá pra pagar, come goyslop ultra processado, todo dia é 3 horas de deslocamento pro serviço. Ele está cansado o tempo todo, deprimido, e o bairro dele é controlado pelo CV. Se ele olha torto pra um cria ele toma esculacho, se ele sai na hora errada um noia assalta, e por ser um marginalizado fudido a PM também assedia ele.
No papel, a vida dele é melhor que a dos pais porque ele é pago 3 salários mínimos, comparado com os pais que era 0 + o excedente que vendiam na beira da estrada pra comprar o que não era produzido na fazenda. Se o Zé Maria Filho tiver filhos, provavelmente não vão ser natimortos, e no máximo vão ser 2. Eles mal vão ver o pai porque assim que tiver idade pra engatinhar vão pra uma creche, e depois escola.
A vida do brasileiro melhorou de fato ou o tipo se sofrimento foi transformado?